A Escuridão do Túnel Brasil VI – 18/12/2016

Contexto Mundial:.

A nova ordem econômica mundial está sendo questionada nos 5(cinco) continentes, isto porque, as idéias protecionistas do novo presidente do EUA Donald Trump, colocam em evidência o imponderável. É cedo para definirmos em que medida o Trump eleito seguirá o Trump da campanha. A expectativa de todos é muito grande, sobretudo, porque os agentes que movem a política e a economia global ficaram atormentados com a possibilidade de mudanças e a imprevisibilidades, e o mundo neste momento, encerra o ano de 2016 com bastante insegurança nas projeções para os próximos anos. Na verdade podemos depreender que o Trump é o resultado de um mundo em mutação, bem como, subproduto da crise de 2008, que deixou feridas abertas em diversos países, que prenuncia uma nova política econômica em todo mundo, tendendo mais para ações protecionistas. Para que o mundo cresça em torno de 6% na média, nos próximos anos, estes ventos que estão soprando forte a arrogância e a ruína, sejam amainados, e então, o entendimento e a negociação racional, possam estar sendo postos à mesa para produzir bons resultados para o bem comum. Não creio que em pleno século XXI, haja espaço para a política isolacionista, e se assim for, vislumbro muitas dificuldades, ensejando inclusive, conflitos que poderão produzir ações que colocarão a paz mundial em risco. É preciso dar condições dignas para os habitantes do planeta, e evidentemente, que só será possível, caso os países trabalhem em parcerias para aumentar o crescimento pífio da economia mundial, que na média vai fechar o ano de 2016 em torno de 3,5%. Entendo que, a hora que o mundo sair do choque Trump, os novos tempos jogarão luzes sobre as janelas de novas oportunidades, que já estão florescendo. A força do conjunto é mais produtiva e qualitativa do que o egocentrismo do isolamento. Por hora, o que há de positivo é um alerta denotado pela vitória do Trump “NO MUNDO PÓS-2008, AS SABEDORIA CONVENCIONAIS PRECISAM SER REPENSADAS E DESAFIADAS”.
Cenário Interno:.
Painel de Indicadores e Situações:
- PIB: 2016 – negativo em 3,5%; 2017 – positivo em 1,0%
- Inflação: 2016 – 6,5%; 2017 – 4,5%
- Déficit Fiscal: 2016 – R$ 170,5 bilhões; 2017 – R$ 150,0 bilhões.
- Selic – 2016 – 13,75%; 2017– 6,25%
- Dívida Pública: 2016 – R$ 4,65 trilhões – 72,0% do PIB; 2017 – R$ – 3,10 Trilhões do Pib.
- Câmbio – 2016 –US$ 3,40 ; 2017 – U$S 3,50
OVERVIEW:
O imponderável assombra os políticos brasileiros e a reboque a economia continua tendo espasmos de melhorias ínfimas, à espera de reformas importantes que estão sendo emperradas pelo corporativismo reinante dentro do congresso nacional. O Brasil vive uma situação econômica bastante grave, onde indicadores demonstram a inércia e a dificuldade do novo governo. A dívida pública total está somando um valor abismal de R$ 4,43 trilhões, ou seja, 71% do PIB e o déficit fiscal, que possivelmente fechará próximo de R$ 170 Bilhões.
As reformas são preponderantes para recolocar o país nos trilhos, não há outros caminhos. A proposta de emenda constitucional 55, referente a definição do teto dos gastos públicos e a reforma da previdência, são os pilares fortes do ajuste fiscal.
O cenário político denota uma instabilidade muito grande, sobretudo porque, mais de 150 parlamentares do congresso nacional e do governo estão profundamente envolvidos com os atos ilícitos que estão sendo investigados e esclarecidos pela operação lava jato, que coloca em risco as reformas estruturais. No front externo, a vitória do Trump para presidência da maior economia do planeta, com certeza vai requerer que o governo Temer arrume a casa, visando conviver com as instabilidades que virão com a mudança de postura e estilo de negociação trazida pelo novo modelo econômico mundial. O Brasil precisa atravessar este momento de muita imprevisibilidade, sobretudo, por que não há nenhuma chance de mudança de governo na situação em que nos encontramos. As ameaças políticas internas são gigantescas, pois o congresso está trabalhando firme na manutenção de um quarto poder, a impunidade, além de manter como refém o presidente Michel Temer.
No cenário econômico, conforme indicadores acima, a situação é extremamente caótica. As reformas estão ameaçadas pela atuação duvidosa da maioria dos políticos brasileiros, que diante do quadro, produzem efeitos perversos na economia. Os investidores, empresários e a sociedade como um todo, estão no compasso de espera, visto que, os sucessivos fatos nocivos investigados pela operação lava jato, além de acordo de leniência fechados com grandes empresários, estão criando uma bolha inercial negativa na economia, que patina muito. O Brasil está parado, é desalentador, e os desafios são muitos. Não há estímulos diante de tantas dificuldades que se apresentam a todo o momento. As reformas são necessárias, pois caso contrário, a desordem em todos os sentidos tomarão conta da nação, e então, será o caos. O desgaste é imenso, mas o presidente Temer vai precisar de grande poder de articulação e equilíbrio, visando construir um ambiente propício para colocar o país nos trilhos, e acima tudo, alavancar o crescimento econômico, atrair investimentos, gerar produtividade suficiente para criar e repor milhões de empregos.
Este é o resumo da ópera, o país precisa passar por essa transitoriedade sem descontinuidade, pois a situação é muito grave, e mais, sugerindo o ajuste fiscal. Não há solução mágica, sobretudo porque, as dificuldades políticas e econômicas são de alcance mundial. A crise de 2008 está se arrastando até os dias de hoje. O mundo está em frangalhos, a insegurança e descontinuidade da globalização são variáveis que colocam em risco a estabilidade econômica mundial.

CONCLUSÃO:.
O mundo precisará de muita eficiência em negociação em 2017, para enfrentar a maratona de dificuldades que se apresentarão com a nova ordem econômica, política e social, que serão trazidas pelos desencontros do mundo desenvolvido, patrocinados pela nova visão de relações internacionais do novo presidente americano. Por aqui, o presidente brasileiro e sua equipe, estão em meio às crises de fundo político e econômica. A aprovação da PEC 55 no dia 13/12, que se refere ao teto dos gastos foi uma boa sinalização para o mercado. O próximo passo que é a reforma da previdência, que será votada no início de 2017, são na verdade os pilares centrais do ajuste fiscal, que trará mais tranqüilidade para resolução das questões fiscais. Há nítidos sinais de que até o final do ano, a equipe econômica trabalhará firme também na redução do custo Brasil, e mais, fechará um cronograma para redução da taxa básica de juros da economia(selic), para o ano de 2017, subindo os intervalos de reduções de 0,25 para 0,50%. É claro, que o ano de 2016, já foi pra o saco, bem como, sabemos que o ano de 2017 será o balizador para os indicadores de avanços ou retrocessos, porém, o comedimento e a lucidez nos orientam na direção de que o real equilíbrio da economia vai requerer um horizonte de maturação de 4 a 5 anos, para que isso se materialize, é preciso que não haja nenhuma ruptura no campo político que possa ensejar a saída do Temer. Além disso, as nossas relações internacionais devem ser aprimoradas para diminuirmos o impacto das incursões do governo Trump. Enfim, vislumbramos graves indicativos de que o mundo viverá grandes turbulências políticas e econômicas em 2017, e o pior, neste cenário, está contemplado a redução do crescimento econômico mundial, que já foi abordado acima. Isto denota claramente, o aumento indiscriminado do nível de dificuldades e pobreza em escala mundial, notadamente nos continentes mais desfavorecidos, caso o presidente eleito da maior economia planeta, leve a cabo as ameaças que prometera durante o período de campanha. Estamos todos sentados a beira do caminho na esperança de que as ameaças do Trump sejam implementadas com uma intensidade menor.
NR.1:. O Brasil tem jeito. Os investidores nacionais e internacionais estão bastante sensibilizados neste ponto, sobretudo, porque possuem estudos de matrizes avançados na área de retorno de investimentos, além de conhecerem as excelentes oportunidades que o nosso mercado está oferecendo. Tenho plena confiança de que o Brasil está no radar dos potenciais investidores, e em sendo assim, o ano de 2017, com o avanço do ajuste fiscal, ensejará o retorno robusto dos investimentos. Os ativos estão com precificados bem abaixo do real, o que me permite afirmar: “É hora de investir no Brasil”.
NR.2:. Seremos até o final de 2016 – 12 milhões de dsempregados.

No resumo das questões colocadas acima, reafirmo o grito de “Fique Alerta Brasil.”
Wolgano Nogueira Messias
Diretor de Análises e Tendências do ITAG-ES