Overview: A Escuridão do Túnel Brasil V – 25/07/2016

Contexto:. Estamos parados, batemos no fundo do poço. A nossa política fiscal está esgotada. Não há condições de nosso gasto público permanecer na trajetória que estão, chegamos no limite. Ou reformamos o estado, ou nossa realidade será de inflação alta e crescimento baixo. Neste momento, estamos vivenciando duas crises críticas nas finanças públicas. Uma é conjuntural, de queda de arrecadação oriunda do desaquecimento da economia. A outra é estrutural: gastos que pressionam o tesouro e são muito difíceis de reverter. A maioria dos especialistas e o próprio governo precisam entender que estes problemas são distintos e necessitam de tratativas distintas, para os resultados aparecerem positivamente nas contas públicas.

Painel de Indicadores e Situações:
- PIB: negativo – 2015 em 4,0%; 2016 – negativo em 3,5%;
- Inflação: 2015 – 10,8%; 2016 – 7, 4,0%;
- Déficit Fiscal: – 2015 – R$ 115 bilhões; 2016 – R$ 170,5 bilhões;
- Selic – 2015 – 14,75%; 2016 – 13,25%;
- Dívida Pública – 2015 – R$ 2,78 trilhões – 65,0% do PIB; 2016 – R$ 3,90 trilhões – 70,0% do PIB;
- Câmbio – 2015 – US$ 3,88: 2016 –US$ 3,50

Notas Relevantes:
-Cenário Interno:

É possível que a haja uma razoável melhora no último trimestre de 2016, em função da desaceleração da inflação. O Banco Central está conseguindo deixar o câmbio flutuar de acordo com os movimentos das ondas do mercado internacional, fazendo raras intervenções. Os empresários estão no compasso de espera, na expectativa com relação a crédito e financiamentos para dar uma alavancada em seus negócios, notadamente àqueles que produzem e vendem bens duráveis. Acredito que antes do final do ano, estes estímulos deverão ser liberados, inclusive beneficiando o varejo também. O impeachment é considerado favas contadas, visto que, não existe a mínima condição da presidenta Dilma retornar ao comando do país. Um fato relevante que aconteceu recentemente, a eleição do presidente da câmara dos deputados, contribuirá sobremaneira para execução do ajustes programados pela equipe econômica do presidente interino. Estamos confiantes na equalização das contas públicas, visto que, a aprovação das reformas e das medidas pontuais, propiciarão um stop loss na péssima performance das contas públicas, detendo o crescimento desordenado. As variáveis macroeconômicas, juros, inflação e câmbio, estarão em níveis bem melhores em 2017. Se faz necessário mencionar o excelente trabalho que está sendo feito pelo José Serra, no ministério de Comercio exterior, que trará resultados significativos para balança comercial do país. Em resumo, precisamos realizar de forma urgente e competente a reforma do estado, visando à obtenção de forças para trazer de volta o crescimento e desenvolvimento econômico.

Cenário Externa:
A política e a economia mundial prenunciam grandes complexidades, após a tremenda bobagem em que se meteu o Reino Unido, que acaba de ser ratificada com a ascensão de Theresa May ao cargo de primeira ministra. A eleição americana, está emitindo sinais difusos, com a possibilidade do empresário Donald Trump ser bem sucedido no pleito. Acredito que a solução através da melhoria das relações internacionais e a intensificação dos fluxos de negócios entre países via acordos bilaterais e multilaterais, poderá fortalecer em boa proporção, o desempenho dos negócios. É preciso que a comunidade internacional abra um espaço de bom senso, visando ações conjuntas nas questões mais complexas, a exemplo, as ações radicais, que estão perturbando a ordem e a paz mundial, na medida em que suas incursões são cruéis e desumanas. Também situações esdrúxulas vividas em países como, Venezuela, Turquia e outros. É também de suma importância, que os líderes globais, pensem no todo, isto porque, de forma isolada com ações pontuais não alcançarão a plenitude da globalização pacificada e próspera. O mundo continuará crescendo a uma taxa média de 4,0%%, nos próximos dois anos. Este crescimento não será suficiente para todos, visto que, a necessidade de divisas individualizada, precisará de um crescimento mais robusto para viabilizar a balança de negócios. Os líderes das nações ricas precisam criar políticas e acordos sustentáveis, para que todos participem e ganhem, visando viabilizar o potencial de negócios que há hoje.
CONCLUSÃO: Na visão global, podemos afirmar que a complexidade e as diferenças existirão, principalmente onde houver competitividade de alto impacto. Porém, o bom senso e a visão de sustentabilidade da política e da economia mundial, deverão ser objetos de buscas constantes de todos os países. Há um potencial fantástico, afinal são cinco continentes, que precisam viabilizar negócios. Creio que existem plenas condições para elevar o crescimento mundial para o patamar de 5,0% na média, sistematizando uma equalização de resultados com bastante capilarização em todos os continentes, e só assim, começaremos um processo de minimização da pobreza em alguns continentes mais sofridos.
No resumo das questões colocadas acima, reafirmo o grito de “Fique Alerta Brasil.”

Wolgano Nogueira Messias
Diretor de Análises e Tendências do ITAG-ES